domingo, 24 de outubro de 2010

O Lado Sombrio Da Lua - Capítulo 5 - Decisão

Nota da autora: Eu tenho uma playlist para O lado sombrio da Lua… E para esse capítulo uma música que realmente me colocou no clima para escrever foi Let me Go – 3 Doors Down. | Clique aqui para conferir a música.
Decisão
As árvores passavam voando por nós enquanto eu rasgava pela calçada, levando a picape de Bella ao limite. Como se apressar para dizer adeus à ela fosse tornar isso mais fácil.
“Diga alguma coisa”, ela disse desesperadamente.
Eu não consegui esconder minha irritação quando respondi. “O que você quer que eu diga?” Que eu me odeio por quase matá-la… novamente?
Com o canto do meu olho a vi encolher contra a porta da picape, e eu me castiguei. “Diga que me perdoa.” Sua voz era calma, mas suas palavras me cortaram por dentro.
“Perdoar você? Pelo que?” Ela não poderia estar tentando tomar a responsabilidade por aquela situação apavorante. Absurdo.
“Se eu tivesse sido mais cuidadosa, nada teria acontecido,” ela disse.
De forma alguma ela colocaria a culpa disso nela mesma – fui eu quem a arrastou até lá, forcei-a a suportar a festa que ela não queria, cercada por monstros sedentos por sangue. “Bella, você se cortou com o papel – isso dificilmente merece a pena de morte.” Se ela estivesse em qualquer outro lugar isso não seria um problema. De repente minha mente se encheu com a imagem da festa que Bella deveria ter tido…
“Ainda é minha culpa,” ela pressionou.
Sua insistência trouxe minha culpa em foco, e as palavras escaparam. “Sua culpa?!Se você se cortasse na casa de Mike Newton, com Jessica lá e Angela e seus outros amigos normais, o pior que poderia ter acontecido seria o que? Talvez eles não conseguissem encontrar um curativo para você. Se você tropeçasse e batesse sobre uma pilha de pratos de vidro sozinha – sem que alguém te jogasse neles – mesmo assim, o que seria o pior? Você deixaria sangue no banco quando eles te levassem à sala emergência? Mike Newton poderia segurar sua mão enquanto eles te dessem pontos – e ele não estaria lutando contra a vontade de matá-la o tempo todo que ele estivesse lá. Não tente colocar a culpa em você, Bella. Só me deixará mais enojado comigo mesmo.” O volante rangeu sob o stress de meu aperto, e eu mal evitei esmagá-lo em minhas mãos.
“Como Mike Newton acabou entrando nessa conversa?” ela perguntou.
“Mike Newton entrou nessa conversa porque seria bem mais saudável para você estar com ele,” eu rosnei. Mike Newton era uma criança ignorante a qual mal tinha conhecimento do mundo ao redor dele… mas ele era infinitamente melhor para Bella. Ele nunca seria levado a machucá-la – a matá-la. Por mais que revirasse meu estômago imaginá-lo abraçando-a, Mike Newton – ou alguém como ele – era com quem Bella deveria estar… não eu.
“Eu prefiriria morrer do que estar com Mike Newton! Eu prefiriria morrer do que estar com qualquer um que não seja você.”
Você gostaria que eu te matasse?
As visões de Alice da minha Bella com olhos vermelhos de recém-nascida me mostravam a terrível resposta. “Não seja melodramática, por favor,” eu disse para ela, tentando conter minha raiva auto-dirigida. Eu tinha que dominar essas emoções, trancá-las longe junto com meu amor, o desejo que eu tinha por ela. Estávamos perto da casa dela agora. Eu tinha que dizer adeus.
“Então não seja ridículo,” ela retrucou.
Eu não tinha resposta. Quando a picape parou na frente da casa dela, eu continuei a encarar o pára-brisas, tentando me convencer a dizer as palavras. As palavras que arrancariam meu coração fora. Adeus, Bella.
Mas o silêncio foi tudo que consegui reunir.
“Você ficará esta noite?” ela perguntou timidamente. Seu simples pedido minou a pouca força que eu tinha.
Eu permaneci congelado, olhando para longe. Não, eu não vou ficar. Eu tentei dizer, mas meu coração me traiu. “Eu devo ir para casa.” E nunca mais voltar. É o que é certo.
“Pelo meu aniversário,” ela implorou, e eu sabia que tinha perdido. Com apenas algumas palavras ela destruiu meu plano, me atraindo, e o perigo que eu representava, mais perto quando ela deveria estar me mandando embora. Mas era claro que eu não poderia deixá-la… ainda não. Parte de mim alegrou-se, ansiando por alcançá-la e puxá-la para mais perto. A outra parte de mim estava envergonhada. Em tempo eu a protegeria, isso eu jurei.
“Você não pode ter as duas coisas – ou você quer que as pessoas ignorem seu aniversário ou não. Um ou o outro.” O argumento foi tão fraco quanto minha decisão. Por que eu não podia simplesmente dizer Não!
“Ok.” Ela ouviu meu tom capitular, e o alívio em sua voz rasgou minha vontade. “Eu decidi que não quero que você ignore meu aniversário. Te vejo no meu quarto.” Com a mão boa ela abriu a porta e desceu. Eu não me movi – fazendo outra tentativa fraca de me retirar da vida dela. Ela se virou e desajeitadamente recolheu seus presentes.
“Você não tem que levar estes,” eu disse, finalmente olhando para ela. O conteúdo não era algo que ela deveria precisar depois que eu fosse embora.
“Eu os quero,” ela disse sem pensar, então pausou, examinando meu rosto.
“Não, você não quer. Carlisle e Esme gastaram dinheiro com você.” E o outro é meu… ela deixou bem claro que meus presentes eram as coisas menos desejáveis em sua mente.
“Eu sobreviverei.” Um meio sorriso cruzou seus lábios enquanto ela batia a porta, prevenindo qualquer resposta.  Ela tinha total controle sob mim. Se pelo menos ela me dissesse para ir embora, então não haveria problema. Mas esse era o ponto fraco da conversa – ela não era responsável pela situação – eu era.
Eu saí da picape e arrebatei o fardo do braço de Bella. “Me deixe carregá-los, pelo menos,” eu disse derrotado. Talvez eu deveria apenas admitir minha fraqueza esta noite, e tentar novamente amanhã. “Eu estarei no seu quarto.”
“Obrigada,” ela disse com um sorriso brilhante.
“Feliz Aniversário,” eu disse com um suspiro. Havia outra maneira? Eu me inclinei, incapaz de resistir a encostar meus lábios contra os dela. Quando ela se contorceu para ficar em contado enquanto eu me afastava, um sorriso verdadeiro encheu meu rosto, demonstrando o amor que eu tinha por meu anjo perfeito. Mas então eu corri, sabendo que o que aquele amor exigia de mim.
Antes mesmo de ela ter aberto a porta da frente eu tinha passado por sua janela e sentado em sua cama. Enquanto eu esperava em seu quarto, questionei meu julgamento novamente. Se Carlisle tivesse levado Bella para casa, eu não estaria sentado aqui. Eu poderia ter desaparecido na noite, sumido sem rastros. Ela ficaria confusa quanto eu não aparecesse na escola amanhã, mas ela se lembraria da última vez que eu desapareci. Ela esperaria, na expectativa do meu retorno? Ou ela procuraria? Onde ela iria… Alasca?
Não, era errado escapolir como um covarde. Ela merecia paz, encerramento. Eu não poderia simplesmente deixá-la – eu tinha que libertá-la de mim. Eu tinha que quebrar nossa conexão; fazê-la entender que esse adeus era diferente, que era para sempre. Eu tinha que fazer o impossível.
Sua voz flutuou escadas acima, preenchendo-me com uma completude pela qual eu sabia que ansiaria todos os dias até o fim dos tempos. Eu me entreguei por um momento, me lembrando da mesma satisfação quando ela disse pela primeira vez que me amava enquando dormia. Teria sido um sonho para mim tanto quanto foi para ela, eu percebi, e estava chegando ao fim. Se ao menos o sonho desaparecesse de minha memória do jeito que desapareceria da dela.
Eu ouvi Bella dizer um boa noite nervoso para Charlie enquanto ela quase corria pelas escadas. Uma pergunta se formou na cabeça do pai dela, embora eu não saberia o que era exatamente se ele não tivesse tido alto.
“O que aconteceu com seu braço?” Charlie perguntou.
“Eu tropecei. Não é nada.” A habilidade de Bella para mentir não havia melhorado, mas Charlie estava distraído pela TV.
“Bella,” ele disse com um suspiro.
“Boa noite, pai,” ela disse, então subiu rapidamente as escadas. A porta do banheiro fechou alta, e a água foi ligada. Eu peguei o presente de Carlisle para Bella e passei meus dedos nas dobras afiadas, tentando evitar em pensar na linda mulher se trocando a poucos metros de distância… e o fato que eu era muito fraco para verdadeiramente deixá-la segura. Eu a amava demais – mas eu era patético.
Momentos depois ela entrou, alheia ao meu humor.
“Oi,” eu murmurei.
“Oi,” ela disse, deslocando os presentes e se colocando no meu colo. O calor de sua bochecha contra meu peito era eletrizante, e eu não podia resistir a envolvê-la em meus braços. Novamente ela me controlou, afastando os esforços da minha mente.
“Posso abrir meus presentes agora?”
“De onde veio esse entusiasmo?” Eu perguntei, incapaz de lutar mais essa noite.
“Você me deixou curiosa.” Ela pegou o pacote de Carlisle e Esme quase alegremente, e eu senti uma centelha de felicidade. Ainda era aniversário dela, afinal de contas, e se ela pudesse finalmente encontrar alguma alegria naquele fato, eu não seria a pessoa a acabá-la.
Eu tomei o presente dela. “Permita-me.” Não haveria mais sangue derramado esta noite. Eu desembrulhei o presente, jogando o papel me dobrado na lixeira próxima a sua pequena escrivaninha antes de devolver a caixa estreita a seus lindos dedos.
“Você tem certeza que eu consigo levantar a tampa?” ela disse sarcasticamente. A caixa abriu facilmente, e Bella tirou as passagens e segurou-as para que pudessem ficar na luz. Ela olhou os cartões, sua testa enrugou com confusão. Ela leu silenciosamente, sua face relaxando, então se tornou eufórica. A vista era deslumbrante.
“Nós vamos para Jacksonville?” ela praticamente gritou.
“Essa é a idéia.” Mas não, nós não iríamos.
“Não acredito. Renée vai pirar! Você não se importa, não é? É ensolarado, você terá que ficar dentro de casa o dia todo.” Sua animação era adorável. Eu não tinha o coração para dizer a ela a verdade – que ela iria sozinha. Não hoje, não no aniversário dela.
Ao invés disso eu respondi, “Acho que posso dar conta disso.” Então era somente os meus presentes que ela rejeitava. Eu fiz uma careta. “Se eu tivesse tido alguma idéia que você pudesse reagir a um presente de forma apropriada, eu teria feito você abrir ele na frente de Carlisle e Esme. Eu pensei que você iria reclamar.” Até mesmo agora, depois de tanto tempo que passei com ela, eu não poderia prever suas reações.
“Bem, é claro que é demais. Mas eu posso levar você comigo!”
Sua exuberância era contagiante, e eu, na verdade, ri. “Agora eu gostaria de ter gasto dinheiro no seu presente. Eu não imaginei que você fosse capaz de ser razoável.”
Ela pegou o último presente, o pacote quase mortal, mas eu o arranquei dela. De modo algum ela encostaria seus dedos naquele papel novamente. Uma vez que foi desembrulhado, eu entrei a ela um CD feito em casa. O prateado do disco brilhou na luz fraca.
“O que é?” Ela perguntou, genuinamente confusa.
Em resposta eu peguei o CD player ao lado de seu criado mudo e coloquei o disco dentro. Ela gostaria desse presente, ou o acharia infantil comparado às passagens de avião ao lado da cama? Eu apertei ‘play’ e a observei atentamente.
A música encheu o quarto, e ela congelou. Mesmo sem uma visão clara, Alice me assegurou que Bella amaria esse presente, mas a sua reação foi curiosa. Eu lembrei de quando ela ouviu a canção pela primeira vez, sentada em meu piano. A mesma expressão pintada em sua face, e ela ficou igualmente sem palavras. Aquela imagem foi estragada para sempre pela memória daquela mancha vermelha brilhante no carpete próxima ao instrumento.
Quando ela saiu de seu tranze desta vez, ela esfregou seu rosto. Quando eu percebi que era por causa das lágrimas que saiam de seus olhos meu coração partiu – a música a lembrava do trauma de apenas uma hora atrás? Como eu descuidadamente a machuquei?
Eu dei uma olhada em seu braço e na mancha amarela de antibiótico cercava as bandagens brancas. O anestésico deve estar acabando – isso deve estar causando suas lágrimas. E eu continuo causando dor para ela.
“O seu braço dói?” Eu sabia onde o Tylenol estava; eu deveria ter pego algo mais forte antes que saí da casa de Carlisle.
“Não, não é meu braço. É lindo, Edward. Você não poderia ter me dado nada que eu amasse mais. Não posso acreditar.” Ela pressionou seus lábios bem forte e eu me inclinei um pouco mais perto do CD player.
Outra resposta imprevisível de meu amor… minha música lhe trouxe lágrimas. Ela ouviu a música tantas vezes vinda de meus lábios, e ainda sua reprodução tocava seu coração, provavelmente porque poderia estar aqui quando eu não estava. Ela ouviria a música e choraria depois que eu fosse embora? Partir não seria tão fácil quanto desaparecer na noite… Eu podia ver isso agora.
Mas neste momento era sobre ela, não sobre mim. “Eu não pensei que você me deixaria comprar um piano para tocar para você aqui.”
“Você está certo.” Ela tocou sua bandagem cautelosamente, provavelmente sem perceber.
“Como está seu braço?”
“Está bem,” ela disse, é claro, mas eu podia ver seu rosto ficando vermelho pelo stress do disconforto.
“Vou pegar Tylenol pra você.” Eu pegaria uma receita para algo mais forte de Carlisle pela manhã. Havia algo errado com aquele pensamento, mas quando Bella fez uma careta novamente, só uma coisa importava. Ela estava em dor.
“Eu não sinto nada,” ela choramingou, mas não conseguia esconder a dor em seus olhos enquanto eu a coloquei na cama perto de mim. As pílulas estavam no banheiro, e ela precisaria de água também.
Quando eu cheguei até a porta ela sussurrou, “Charlie,” e eu tive que sufocar uma risada. Eu podia descer as escadas correndo e sair pela porta da frente sem Charlie me ver…
“Ele não vai me pegar.” Em duas batidas de seu coração eu estava de volta a seu lado, dando a ela as pílulas. Agradecida ela não discutiu – seu braço deve estar realmente dolorido. Essa tinha que ser a última vez…
“É tarde,” eu disse. Com a música ainda tocando, eu cuidadosamente a levantei da colcha e a coloquei embaixo dela. Estupidamente eu deitei perto dela. Só uma última vez, eu disse a mim mesmo. Ela se aconchegou em mim, descansando sua cabeça em meu ombro e suspirando contente. E eu queria que isso durasse para sempre.
“Obrigada de novo,” ela sussurrou.
Depois de tudo que aconteceu, ela estava agradecida. “De nada.” Ela se encaixava tão perfeitamente em mim, como se ela fosse feita só para mim. Tão certo.
Não. Não era certo, era egoísta. Pegar essa vida quente e vibrante e corrompê-la com minha escuridão era o pecado final. Mas era certo simplesmente desaparecer? Partir a protegeria do dano físico que eu continuamente a causo… e a angústia mental? Não havia dúvida que ela me amava, e que minha partida partiria seu coração. Como isso poderia ser certo? E o meu coração?
O CD ficou silencioso momentaneamente, então a canção de Esme começou. E lembrei como minha mãe havia aceitado Bella sem questionamentos em minha família. Meus sentimentos eram sua única preocupação no começo – como Bella melhorou minha vida – mas ela começara a considerar o bem estar de Bella como sendo tão importante como o nosso. Eu esperava que Esme veria que meus sentimentos não eram mais de qualquer conseqüência. Mesmo questionando o quanto partir me faria sentir errado. Eu disse a Bella uma vez que eu machucaria a mim mesmo com ir embora se isso a mantivesse a salvo. Nobres palavras na época… eu poderia cumprí-las?
“No que você está pensando?” ela perguntou acima da música.
“Eu estava pensando sobre o certo e o errado, na verdade.” E quão fraco eu era, sabendo o caminho certo mas incapaz de me forçar a pegá-lo.
Ela ficou tensa sob sua colcha fina. “Lembra como decidi que eu queria que você não ignorasse meu aniversário?”
O que ela estava tramando? “Sim.”
“Bem, eu estava pensando, já que ainda é meu aniversário, eu gostaria que você me beijasse novamente.” Meu coração congelado tremeu em resposta. Eu não deveria…
“Você está gananciosa esta noite,” eu disse para ambos.
“Sim, eu estou – mas por favor, não faça nada que você não queira fazer,” ela disse, sua voz atada com irritação.
Eu ri. Sua tentativa de psicologia reversa era tão patética quanto uma de suas mentiras. É claro que eu queria beijá-la. Eu nunca queria parar de beijá-la. Partir era o que eu não queria fazer. Mas não havia na verdade uma escolha. Eu suspirei. “Deus me perdoe que eu faça algo que eu não quisesse fazer.” Eu coloquei minha mão embaixo de seu queixo e a trouxe para mim.
Sua boca era quente, e como sempre, impaciente. O calor de seu desejo encontrava o fogo de minha sede, ventilada pelo doce gosto que me permeava, mesmo com meus lábios selados. A força que eu estava procurando surgiu, e meu coração voou para minha garganta enquanto eu percebi que essa poderia ser a última vez que eu a beijaria. Eu a puxei para mais perto, tentando transmitir todo o amor que eu tinha por ela através deste último abraço. Enquanto seu corpo se pressionava contra o meu, meu peito rasgou, e eu aprendi que coração partido não era um termo metafórico. Meu coração se despedaçou… eu não conseguia respirar pela profunda agonia, e meus olhos tentaram inutilmente chorar. Não, eu não podia fazer isso… eu não podia ir embora… ela era minha vida.
Uma pequena voz na minha cabeça colocou palavras atrás de minhas forças, sua simplicidade cortando a dor. Deixe ela viver.
De algum modo eu afastei Bella de mim, e o primeiro pedaço de meu coração foi levado com ela. Ela deitou em seu travesseiro, ofegante como eu estava, embora minha respiração trabalhada fosse uma tentativa de suprimir minha tristeza, não controlar minha luxúria. Eu tentei trancar minhas emoções. Era aniversário dela – eu não poderia sujeitá-la a essa dor esta noite. “Desculpe, isso foi fora dos limites.”
“Eu não me importo,” ela disse sem fôlego. Quando seus olhos se abriram, eles brilhavam com vida para mim.
Eu te amo tanto, Bella… Essas eram as palavras que descansavam na ponta da minha língua, mas eu as bani. Não era justo encorajá-la, tampouco. “Tente dormir, Bella.”
“Não, eu quero que você me beije novamente.” O corado em seu rosto era tão magnífico; eu tive que fechar os punhos embaixo de sua cabeça para não acariciar suas bochechas. Tantos motivos para ficar…
“Você está superestimando meu auto-controle.” Em tantas maneiras.
“O que é mais está tentando você, meu sangue ou meu corpo?” Ela tentou iluminar o caminho que ela me atraia… literalmente como uma mariposa à chama.
Eu considerei sua pergunta, tentando comparar o fogo na minha garganta com a dor em meu peito. No começo seria seu sangue que me atraiu, mas agora, havia muito mais. Quando eu lembrava da suavidade de seus lábios, a excitação que me preenchia não era devido à sede, mas sim luxúria. O calor de seu corpo chamava o meu, convidando minha pele para encontrar a dela… mas também me lembrava do prazer radiante de seu sangue fluindo em minha língua. Para cada tentação que seu sangue delicioso exibia, havia uma igualdade sedutora oferecida por sua carne. Tudo nela parecia ter sido criado com meus desejos em mente.
“É um empate,” eu disse, sorrindo apesar de mim mesmo. “Agora, por que você não para de abusar da sorte e vá dormir?” Se ao menos eu tivesse sido criado para amá-la, ao invés de destruí-la. O destino era uma megera cruel.
“Está bem.” Ela delizou para perto de mim novamente, deixando seu braço ferido por cima do meu ombro. Sua respiração começou a diminuir quase imediatamente, decaindo e fluindo sobre mim com seu cheiro sedutor. O nó na minha garganta queimou com sede, como sempre o faria. Era o cartão telefônico da realidade.
Eu tinha que partir – todos nós tínhamos de partir. Só então Bella poderia estar a salvo de mim, do perigo que eu trouxe para sua vida. Mas como eu poderia? A resolução que eu sentia em seu beijo foi evaporando rapidamente enquanto eu a segurava. Eu não poderia simplesmente ir embora. Ela era tão parte de mim como as minhas mãos, minhas pernas, ou meu coração.
Bella respirou fundo e tremeu quando ela relaxou. Eu puxei a colcha um pouco mais apertado em torno dela, tentando prender mais do seu calor contra o frio da minha pele gelada. Mais um motivo para me separar dela.
Sinto muito, meu amor. Seu braço enfaixado estava folgado agora no meu ombro, não precisando mais o alívio fresco que ela estava sutilmente procurando. Eu lhe causei tanta dor, minha cabeça doía.
Mas eu irei protegê-la. Ela ficará bem, meu coração respondeu.
Desta vez…
Bella respirou fundo, interrompendo meus pensamentos. Seu coração batia forte em minhas mãos, e eu tentei focar o seu ritmo suave e conduzir o argumento da minha mente. Meu caminho era claro, e eu precisava tirar proveito máximo destes últimos minutos com ela.
Cuidadosamente eu acariciava seus cabelos e apreciava o fraco e artificial resto do cheiro de morangos que permanecia. Durante muito tempo o cheiro do xampu Bella tinha sido perdido por trás do poder supremo do cheiro do sangue dela, mas agora eu podia discerni-lo como um aroma distinto. Eu até poderia distinguir o próprio cheiro de Bella de frésia e lavanda separadamente do cheiro incrivelmente doce do seu sangue delicioso. Meus pulmões se encheram com o buquê, e eu lentamente guardei cada detalhe desses minutos na memória.
O cabelo dela era tão sedoso, e meus dedos deslizavam facilmente através de suas madeixas castanho-escuras. Nesta última passagem, um único fio de cabelo se soltou em meus dedos, eu o levantei cuidadosamente e fiz uma careta. Mesmo agora, mal me movendo para perto dela, eu lhe causava danos. Era tão errado para mim me impor em sua vida. Isso tinha que parar, e só havia uma maneira que isso poderia acontecer. Eu tinha que ir.
Todas as minhas decisões foram sobre o que eu queria. Eu queria protegê-la. Eu queria tocar sua pele quente. Eu queria beijar seus lábios deliciosos. Eu queria dar-lhe uma festa de aniversário, quando ela não queria ter nada a ver com isso. E eu queria passar o resto de sua vida ao lado dela. O que eu queria era tão errado. E então havia o maior dos males, o único desejo que definiu um monstro dentro de mim ainda maior do que o assassino sanguessuga que eu era. A imagem da minha Bella como uma vampira morta e fria aparecia e a criatura egocêntrica que eu era narrava a imagem. Você poderia tê-la para sempre …
Não. Esse demônio não iria vencer e condenar sua perfeição à noite eterna. O fato de que ela concordava com o lado mal de mim só veio a agravar a situação, mas eu lutei contra ambos.
Olhei para o meu amor, dormindo pacificamente. Como uma vampira, ela não iria desfrutar deste conforto – nunca havia essa paz para mim. Tantas coisas que ela perderia apenas para satisfazer meu egoísmo. Era tão errado para mim até mesmo considerar condená-la assim. Eu tinha que deixar ir.
Cuidadosamente eu rolei o cabelo errante entre meus dedos. Esta seria a última vez, a última noite que eu poderia estar com ela. Ela tinha que estar segura. Eu nunca poderia colocá-la em perigo novamente. O certo seria eu partir, levar meu mundo para longe dela para que ela pudesse ter a vida humana normal que ela estava destinada a viver, e ter o após a vida que ela merecia. Não poderia haver mais argumentos.
Enquanto segurava Bella pela vez final, eu deixei todo o peso da minha decisão tomar conta. Minha presença não seria a única coisa que tinha que ser removida de sua vida; todos os vestígios de meu mundo amaldiçoado deveriam ser eliminados. Minha família teria que partir também. Apenas Alice tentaria argumentar – ela havia desenvolvido uma amizade com a Bella que ela nunca tinha tido com qualquer outro ser humano. Ela agarrava-se às visões que ela tinha de Bella tornando-se imortal, mas isso iria mudar. Eu já não esperava ver o que o futuro reservava agora.
Estava quase na hora de recomeçar de qualquer jeito, então essa mudança não seria tão difícil para Carlisle administrar. Eu nunca tinha pedido muito à minha família no passado, e eu tinha desistido de muita coisa para eles. Eles iriam me conceder este favor – na verdade, eles provavelmente o aceitariam de bom grado. A mentira que eu disse a mim mesmo; a mentira deslavada, que de alguma forma eu poderia fazer Bella feliz havia afetado a eles também. Eles ficariam aliviados por estarem livres dessa obrigação.
Meus pulmões encheram novamente com o doce aroma de Bella, seduzindo o ardor em minha garganta, e ouvi Charlie mexendo lá embaixo. Eu poderia saber por seus pensamentos nebulosos que ele estava feliz com o resultado do que ele tinha visto na TV, e que ele estava exausto. Ele iria para cama logo. Eu tinha que deixar isso. Eu tinha que deixá-la ir.
Com esse pensamento eu fui superado com desgosto. Já era tempo. Delicadamente eu puxei minha Bella adormecida tão próximo quanto era possível e enterrei meu rosto em seu cabelo. Sua respiração não mudou, e ela apertou o braço em volta de mim novamente.
“Eu te amo tanto Bella, por favor me perdoe”, eu mal sussurrei. Ela respirou fundo.
“Edward,” ela disse, ainda dormindo. A palavra me cortou como uma faca, e tremi com um soluço sem lágrimas. Eu nunca mais seria o mesmo sem ela.
“Bella”, eu engasguei. Ouvi os passos pesados de Charlie no começo das escadas, e eu sabia que tinha que soltá-la. Uma vez que eu o fizesse, eu não a abraçaria assim, nunca mais. “Durma bem, meu amor”, eu sussurrei, mas as palavras extinguiram-se a nada em meus lábios. Meu peito tremia enquanto eu inalava, e então soltei meus braços. Enquanto eu deslizava meu braço embaixo de seu corpo frágil, ela rolou para longe de mim. Se ela  ao menos me libertasse assim facilmente quando ela estivesse consciente.
Charlie estava do lado de fora de sua porta, e eu me apressei para o canto mais distante, o mais distante de Bella possível. A luz do corredor a iluminou por um momento enquanto ele olhava meu anjo. “Boa noite, querida”, ele disse suavemente, como fazia todas as noites. Ele tomaria conta dela quando eu partisse. Ele seria o único a consolá-la depois de eu magoá-la uma última vez.
A porta se fechou, e Charlie se arrastou para o banheiro. Bella ainda não se mexia, e ela se afastou de mim, dormindo tranquilamente. Meus braços imploraram para segurá-la mais uma vez, mas os envolvi em torno de meu próprio peito ao invés disso. A decisão foi tomada. Eu tinha que começar a viver com ela.
Eu fiquei ali, imóvel, durante muito tempo, incapaz de dar o último passo e saltar da sua janela. Tudo o que eu conseguia pensar era nela, o quanto ela me mudou nestes últimos meses. Essa menina humana tinha, de alguma forma, expulsado o monstro em mim, e se envolvido em meu coração frio e silencioso. Tanta felicidade que ela me trouxe, e eu lhe trouxe nada além de sofrimento em troca. Bella merecia muito mais. Eu tinha que dar a ela a chance de descobrir a vida que ela era destinada a ter.
Mas eu não conseguia partir.
Tecido em todos os meus pensamentos estava o desejo ardente de tê-la de volta em meus braços. Todo o meu ser ansiava por sua proximidade, e mesmo essa pequena separação me rasgou. Como eu seria capaz de partir? Como eu poderia ficar?
Quando o sol começou a nascer, minha garganta doía do nó que tinha estado lá durante toda a noite. Eu tentei me forçar a sair, mas não consegui. Durante suas horas de sonhos eu me convenci de que havia muitas coisas que tinham de ser feitas para me retirar da sua vida, e que minha família precisava de tempo para fazer a transição mais suave possível para eles. Egoisticamente eu disse a mim mesmo que eu iria sair calmamente da vida de Bella, mas foi uma desculpa pobre para o fato de que eu estava fraco demais para simplesmente ir embora. E com a minha covardia veio a chance que eu poderia ferir ou matá-la.
As luzes verdes no relógio mostravam 06:30 – hora de Bella acordar. Normalmente eu a estaria abraçando, e a acordaria com um beijo, mas não esta manhã. Tomei outro fôlego, mas o ar não me preencheu. Lentamente, eu me ajoelhei ao lado de sua cama e toquei o seu ombro, quente e nu. No momento em que eu o fiz um calafrio percorreu minha espinha. Quantos toques ainda sombram?
“Bella, é hora de acordar”, eu disse suavemente. Este foi outro último – eu não iria ficar com ela esta noite. Não se eu tivesse alguma esperança de partir definitivamente.
Ela se virou para me encarar, seus belos olhos se abrindo. Lentamente, ela se concentrou no meu rosto. “Bom dia”, disse ela, e sorriu sonolenta.
Bella esticou a mão para tocar minha bochecha, e fez uma careta de dor. Eu causei isso, eu me lembrei, e peguei a mão dela antes que ela pudesse tocar meu rosto. “Cuidado, Bella, seus pontos …” eu disse.
Ela me olhou desconfiado e franziu a testa. Eu precisava ir. Quanto mais tempo eu ficasse, mais eu questionaria a minha decisão.
“Vou deixar que você se arrume para a escola. Te vejo lá.” Ela fez uma careta de novo, e esfregou sua têmpora com a outra mão -, ficou claro que a cabeça dela doía, também. Abaixei-me para beijá-la, e mal evitei pressionar meus lábios contra os dela, beijando-a rapidamente, ao invés da testa. Ainda tão egoísta. Mesmo com este inocente beijinho, o cheiro dela tornou-se um gosto na minha língua, o pulso dela suavemente contra os meus lábios. Levou tudo que eu tinha para me afastar de seu calor enquanto eu me virava e pulava pela janela.
Minha cabeça virou automaticamente, e olhei para o quarto dela antes de voltar para casa. O primeiro elo tinha sido quebrado.
Enquanto corria, minha mente começou a criar a lista de tarefas que acompanhava uma deslocação desta magnitude, na esperança de encontrar uma distração da dor em meu peito. Uma vez que Rosalie, Emmett e Jasper já haviam se mudado, pelo menos aos olhos humanos em torno de nós, a maior parte da transição cairia sobre os ombros de Carlisle. Ele tinha feito isto muitas vezes, por isso não deveria ser um fardo tão grande. Esme seguiria Carlisle não importa onde ele iria … e então tinha Alice.
A indecisão de ontem à noite, sem dúvida, tinha Alice assistindo e adivinhando o que eu estava planejando, e eu sabia que ela seria contra. Sua amizade, sua versão de amor por Bella havia distorcido sua visão de certo e errado também. Ela estava tão convencida de que Bella estava destinada a se tornar uma imortal que era irritante. Alice não tinha nenhuma memória de sua vida humana, então ela não tinha qualquer referência de quanto custaria para Bella. Ela se sentiria como eu estivesse levando sua irmã para longe dela. Eu não estava ansioso para enfrentá-la.
A casa estava próxima.
Alice, você tem certeza? Ele quer deixá-la?” A voz de Emmett subiu de tom com sua descrença.
Sim, eu tenho certeza. Sua mente parece estar decidida, por enquanto.” Uma imagem de mim subindo as escadas do alpendre piscou através de seus pensamentos. Você é um idiota, você sabe disso? Minha irmã pensou para meu benefício, sabendo que eu estava por perto.
Já não era sem tempo. Rosalie estava irritantemente alegre.
Não, Edward não pode jogar isso fora. Pobre Bella, isso vai devastá-la. Estes últimos pensamentos de minha mãe doeram mais. A parte mais difícil de partir era saber que Bella iria sofrer novamente por minha causa. Ela provavelmente viria a me odiar por desperdiçar tanto de sua curta vida.
Não, ela não iria me odiar. Ela não guardava rancor, nem ficava com raiva por muito tempo. Eu a conhecia melhor do que esperar por algo diferente. Bella ultrapassava por seus maus sentimentos para com os outros – eu a tinha visto fazê-lo várias vezes. Mas sua memória humana curta e a natureza de perdoar permitiria a Bella me superar, permitir que ela facilmente encontrasse alguém para fazê-la sorrir. Tentei encontrar alguma esperança no fato de que ela iria viver uma vida normal sem mim, mas eu só sentia dor – e o ciúme de seu próximo pretendente.
Eu alcancei os degraus, e a porta se abriu. “Alice”, eu disse, nada surpreso com o olhar que ela me lançou.
“Isso não vai funcionar, você sabe”, ela zombou, e uma imagem cristalina de minha Bella vestida em um vestido longo branco encheu sua mente. Eu também estava lá, segurando a mão dela, deslizando um anel no delicado dedo do meu amor.
“Pare com isso, Alice, é apenas sua imaginação.” Ela tinha tido essa visão por todo o verão, porque era uma fantasia minha. Eu uma vez brinquei com a idéia de pedir Bella em casamento, mas nunca agi. A imagem somente temperou meu propósito. Ela iria se casar algum dia, mas ela se casaria com um ser humano. Cerrei os dentes com a idéia de Mike Newton em pé no meu lugar. “Esse não é o meu futuro – nunca foi.”
“Veremos”, disse ela em um tom insolente. Ela fechou os olhos, concentrando-se em mim. Eu me encolhi, com medo do que ela iria ver.
As primeiras imagens eram exatamente o que eu temia. Eu estava na escola com Bella, aula após aula, olhando estupidamente para os professores. Quantos dias demoraria para que eu finalmente fizesse o que tinha de ser feito? A cena mudou, e se tornou turva. Uma forma encolhida no chão, mas não havia como saber quem era.
“Você não está tão seguro de si mesmo como você gostaria que nós acreditássemos”, ela murmurou, enquanto eu passava por ela.
Eu rosnei enquanto passei forte por ela na sala. Os sofás estavam cheios – apenas Jasper estava faltando. Todos os olhos se voltaram para mim enquanto eu me movia para a parede de janelas. Eu não os encontrei primeiramente,  recolhendo-me depois do ataque de Alice.
“Eu presumo que Alice lhe disse o que estou planejando.” Tomei fôlego e me virei, e olhei para Carlisle. Todos buscaram por sua liderança, esperando para ver qual a sua posição.
Seu rosto estava sem emoção. “Sim. É a sua intenção deixar Bella. Você não acha que se retirar da vida dela é uma medida drástica?” O nó na minha garganta voltou.
“Bella nunca deveria ter sido exposta ao nosso mundo. Isso quase a matou várias vezes. Ela precisa ser permitida a viver a vida humana que ela estava destinada a ter”. Eu mantive a minha voz, sem emoção.
“Ela te faz tão feliz, Edward. Vocês fazem um ao outro tão feliz. Certamente há outra maneira?” Esme disse. O nó cresceu, e eu tentei, sem sucesso, engoli-lo.
“Não, não há outra maneira, Esme. Não é justo para Bella estar em perigo constante, e não é justo que você tenha que fingir ser algo que você não é.”
Esme olhou para baixo. Ela tinha tantos problemas como qualquer um em ficar perto de Bella, lutando contra sua sede, como o resto de nós.
“Eu continuo a dizer que não vai funcionar, Edward. Você está ligado à ela de uma maneira que você não pode nem mesmo compreender. Você não é forte o suficiente para partir – eu lhe disse isso no começo. Eu tenho visto o futuro que deveria ser.” Alice se recusava a aceitar a lógica da minha decisão, vendo apenas seus próprios desejos egoístas. Sua obstinação só me empurrou mais para baixo pela estrada que eu sabia que tinha de tomar.
“Ah é? Você também viu apenas dois futuros para Bella na primavera passada – a imortalidade ou a sepultura. Parece que suas visões não são o que costumavam ser.” Eu me recusava a deixar que a memória daquele dia horrível voltasse.
“Você vai voltar, se é que você vai conseguir se afastar”, disse ela duvidosamente.
“Fique de olho,” eu rosnei. De muitas maneiras a minha irmã era tão teimosa quanto Bella, e este foi apenas um aquecimento para o argumento que ela daria.
Carlisle não disse nada, assistindo calmamente a nossa troca de palavras, analisando minhas reações. Ele estava tentando decidir quão dedicado eu estava com este plano. Ele me conhecia bem demais.
Suspirei, voltando para a lógica novamente. “Alice, colocando suas visões de lado, eu não posso apenas ficar de braços cruzados e ver a Bella constantemente ferida por nossa causa. Tenho que protegê-la, e agora, somos a coisa mais perigosa de sua vida.” Alice olhou para mim e apertou sua mandíbula; eu não seria capaz de convencê-la. Havia mais de uma maneira de mudar esse assunto…
“Como está Jasper?” Eu perguntei calmamente.
Seu rosto mudou, e eu ouvi os pensamentos de todos se voltando para o meu irmão. Ele não havia retornado desde que ele quase matou Bella noite passada, mas Alice sabia onde ele estava, ainda lutando contra sua vergonha.
“Ele está bem, ele só precisa de algum tempo”, ela murmurou. Sua mentira não enganou ninguém.
“Você deveria estar com ele. Talvez vocês pudessem ir até Denali. A caça é abundante nesta época do ano.” Sempre que Jasper tinha uma crise como esta, levava tempo, Alice, e um monte de distrações para trazê-lo de volta para a família. Remover Alice da vida de Bella agora seria mais fácil para mim também – ela não iria querer mentir para Bella, e provavelmente iria apenas incitar seu desejo de fazer minha partida impossível. Eu senti outra pontada de dor em meu peito com o pensamento de Bella me implorando para ficar.
“Eu vou depois da escola”, ela disse. Bella não vai deixar você fazer isso. Ela ama você – ela nos ama muito.
“Não, você devia ir agora. Isto é entre Bella e eu, sua presença só vai complicar a situação”. Eu olhei para ela sombriamente. “Não dificulte mais para ela ou para Jasper.”
Os olhos de Alice se arregalaram. “Você quer que todos nós partamos”, ela sussurrou.
Olhei para Carlisle novamente. “Sim”.
O clima na sala ficou carregado. Cada membro da minha família considerou as implicações do meu pedido, e de fato era a primeira vez que eu tinha pedido algo dessa magnitude deles. Mesmo Rosalie não poderia criar uma desculpa.
“Nenhum argumento aqui”, minha irmã menos favorita disse secamente. Já era hora de você deixar esta sua fantasia, ela pensou. Franzi o cenho para ela. Ela estava boicotando Forks por um tempo, arrastando Emmett para os cantos mais distantes da terra, porque ela se ressentia da presença de Bella. No início foi apenas culpa minha, por me apaixonar por uma mísera humana, mas quando todos aceitaram Bella com facilidade, foi aí que Rosalie entrou em greve.
No meu anúncio seu humor tornou-se exuberante. Embora ela iria sentir falta deste canto chuvoso do mundo, e seus dias quase infinitos sem sol, ela já estava comemorando seu retorno à nossa família. Ela estava feliz por se livrar da humana que eu amava, mesmo que isso significasse nos mudar.
“Rose, calma,” Emmett repreendeu. Sinto muito que não possa dar certoEla parecia tão certa para você. Ele brevemente queria que eu tivesse permitido que Bella se transformasse no Arizona, mas sabia que o meu amor por Bella teria sido manchado para sempre por arrependimento. Enquanto ele se lembrava de como eu a salvei, ele se endireitou. Você é mais forte do que qualquer um de nós, sabe? “Se você acha que é a coisa certa, Edward, eu vou fazer o que seja que você pedir.” Ninguém poderia pedir por um irmão mais dedicado.
O humor de Alice ficou sombrio, percebendo que ela não iria ver Bella de novo antes de partirmos.
“E quanto a mim, Edward? Eu a amo também.” Os olhos dela brilharam com a traição.
“Então você deveria entender melhor do que qualquer um como é certo partir. Ela sofreu muito por nossa causa, por minha causa.”
“Você só é teimoso demais para dar o que ela quer, para deixá-la segura”, retrucou Alice, vendo Bella em sua mente como sua irmã imortal.
Meus dentes fecharam juntos. “É tão fácil para você querer tirar a humanidade dela – algo do qual você não tem nenhuma memória. Bella não tem noção do que está desistindo, e nem você.” Ela revirou os olhos. “E o Charlie? Você foi a preocupada com ele no início – como matar Bella iria matá-lo, também. Isso mudou?”
Alice fez uma pausa, lembrando naquele primeiro dia desastroso e como ela tinha me avisado que Charlie teria reagido se Bella tivesse desaparecido de sua vida. Sua expressão suavizou. Ela ficou ligada ao pai de Bella, também, e não queria magoá-lo, tampouco. Quando ela começou a discutir novamente, Carlisle decidiu intervir, silenciando-nos com uma única mão levantada.
“A humanidade de Bella não está em questão aqui”, disse ele severamente.
“Nossa partida vai deixá-la segura”, eu disse através dos meus dentes.
“Mas eu não posso nem dizer adeus?” Ela sussurrou, e eu fiz uma careta, vendo apenas a tristeza em seu rosto.
“Você sabe que Bella não vai deixar você ir também, Alice. Vai ser mais fácil para ambos desse jeito”, eu disse suavemente. Ela não entendia o presente que eu estava dando a ela – não ter que ver os olhos de Bella quando ela ouvisse a pior palavra … adeus.
A expressão de Alice mudou novamente e ela me encarou. “Eu pensei que você a amava. Como você pode tratá-la assim?”
Minha raiva tomou conta. “Eu a amo – mais do que você possa imaginar. Por que você acha que estou fazendo isso? Não é sobre mim ou você – é sobre o que é certo para Bella. Isso é tudo. É certo que ela seja capaz de viver sua vida humana. É certo que ela tenha amigos que não têm que lutar contra o impulso de matá-la a cada respiração. É certo que ela seja capaz de dormir, sonhar e ter uma família. Isto é o que é certo para ela. Ponto final! ” Eu gritei.
“Não, não é,” ela gritou de volta, depois girou nos calcanhares e saiu. Eu sabia que ela estava indo encontrar Jasper, e que era hora de me aprontar para a escola. Alice tinha mais sorte do que ela sabia – eu não estava ansioso pela dor que eu iria suportar ao longo dos próximos dias … e pelo o resto da minha existência.
O silêncio foi preenchido por perguntas na mente de Esme, Emmett, e do entusiasmo de Rosalie. Eles olharam para Carlisle, que estava olhando para suas mãos. Seus pensamentos eram um emaranhado de lembranças do passado, dúvidas, e preocupação. Ele queria mais tempo.
“Carlisle, de quanto tempo você precisa?” Eu perguntei.
Meu pai olhou para mim com tristeza. Para mudar? Eu balancei a cabeça uma vez. “Nós podemos partir hoje, se esse for o seu desejo”, disse ele. Quanto tempo você precisa? Ele estudou atentamente o meu rosto enquanto eu tentava dizer as palavras que eram certas.
Eu não as encontrei.
“Eu gostaria de algum tempo para dizer adeus.” Como um viciado incapaz de admitir sua dependência tentei esconder atrás de desculpas para estender meu dilema.
Carlisle franziu a testa, facilmente lendo a fraqueza nos meus olhos. Você ainda não tem certeza, eu posso dizer. “Entendo. Muito bem, seriam mais dois dias o suficiente?”
“Sim”. Minha mente instantaneamente calculou o número de horas, minutos e segundos que tal agenda me deixaria com Bella. Foi mais do que eu tinha o direito de pedir.
Vamos falar sobre isso esta noite, Edward. Carlisle não estava convencido da minha decisão, e eu sabia que isto não era um pedido. Ele entenderia, no entanto. Depois de ouvir a sua conversa com Bella, ele não poderia deixar de concordar comigo.
Com outro breve aceno de cabeça, eu segui até meu quarto. Eu tinha que me trocar, e me preparar para enfrentar Bella … e começar a dizer adeus.

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